Dessa vez a entrevista foi feita com o badalado chef, personal chef e consultor Eudes Assis, o caiçara que abraçou o mundo da gastronomia sem deixar de lado suas origens.
O chef nasceu e cresceu em Cambury e cedo escolheu a carreira nas cozinhas. Fez curso na Cordon Bleu, na França, com as próprias economias, trabalhou em iates internacionais como personal chef, viajando pelo mundo e aprimorando seus conhecimentos. Fez seminário com o mitológico Ferran Adriá em Barcelona, estagiou em três restaurantes franceses, em Paris e Lyon, e, no Brasil, foi estagiário nos grandiosos Gero, Fasano, Manacá, em Cambury e se destacou como chef do Restaurante Seu Bastião, em Maresias.
Hoje, Eudes é chef do restaurante Vinea em Alphaville, o foco é a cozinha de fusão e utiliza ingredientes brasileiros. Eudes, de 35 anos, veio compor o perfil destinado ao Vinea, ao trazer sua juventude e dedicação de mais de 15 anos à culinária.
E mais: o caiçara faz parte do projeto social Projeto Buscapé, que tem o intuito de dar atividades extraescolares para as crianças do bairro de Boiçucanga.
Eudes, por que você ama seu trabalho?
Eu amo meu trabalho porque, primeiramente, obtive realização e sucesso fazendo o que gosto; claro que com dedicação, determinação e estudo,mas a gastronomia me proporcionou momentos incríveis, que jamais imaginava, como viajar, cozinhar com chefes renomados e me reafirmar na cozinha caiçara.
Como começou sua paixão pela gastronomia?
Desde a infância já apreciava minha mãe na cozinha, preparando os diversos bolinhos de inhame ou taioba que ela mesma colhia, ou os peixes secos que ficavam dias escalados ao sol, e na hora de preparar, eu sempre me dispunha a ajudá-la. Sempre quis ser cozinheiro.
Qual é a importância da cozinha caiçara na sua vida?
A cozinha caiçara é a minha base, faz parte da minha infância e do meu crescimento. Depois de ter estudado fora do país, feito estágios com diversas cozinhas, percebi a importância de resgatar a minha essência
e valorizar os produtos da minha região litorânea, como os peixes e frutos do mar frescos comprados dos pescadores locais, a já esquecida taioba e diversas raízes que compunham a mesa do caiçara. A partir daí, de quando assumi a minha cultura na gastronomia, obtive enorme realização profissional e pessoal, pois hoje sou referência na cozinha de peixes e frutos do mar.
Eudes, conte-nos um pouco sobre o Projeto Buscapé.
O Buscapé é um projeto social da polícia militar, que oferece várias atividades como música, artes, esportes e gastronomia para 80 crianças e adolescentes entre os dois períodos, manhã e tarde. O intuito é trazer atividades para eles fora do horário escolar, inserir os adolescentes no mercado de trabalho e passar a todos uma boa mensagem de vida, esperança e conquista.
Quais são seus planos para o futuro?
Na verdade já sou extremamente grato pelo que a gastronomia me proporciona. Quero continuar cozinhando, criando e resgatando a cultura e a valorização da cozinha caiçara, dos seus pratos tradicionais, como o azul marinho, e os diversos produtos da terra, para que sejam preparados nos restaurantes do litoral. E também continuar a passar uma boa mensagem no Projeto Buscapé, com ajuda de vários chefes que têm participado, e ainda ter o orgulho de ver essas crianças e adolescentes no mercado de trabalho um dia.
Como você encara essa nova geração de estudantes de gastronomia e qual conselho daria para aqueles que estão começando a carreira na área?
Eu acho que quem escolhe essa profissão tem que ter a certeza do que quer, gostar mesmo de cozinhar e ter o dom, claro. Porque cozinhar é diferente de ter um restaurante, pois para isso você tem que saber administrar, mas para ser chef tem que gostar de estar com as panelas, não tem outro caminho. O trabalho é árduo e requer muita dedicação; por muitas vezes deixamos as famílias em Réveillon, Natal, feriados etc. Ou seja, a realidade, não é o que se vê em mídias e em revistas de gastronomia, isso tudo é uma consequência. Você sai da faculdade um cozinheiro, daí tem toda uma preparação até ter o cargo de chef, para cuidar de uma brigada e assumir um cardápio. É preciso estar disposto a passar por tudo.
Abaixo algumas criações deliciosas desenvolvidas por Eudes para o Menu Caiçara:
Entrada:

Folhas verdes com pitú flambado na cachaça ao vinagrete de caju.
Prato principal:

Pescada cambucu em crosta de banana da terra com pupunha grelhado, creme de taioba e chips de inhame.
Sobremesa:
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Manga grelhada ao caramelo de capim santo, sorvete de tapioca e renda de gengibre.
Créditos de imagens: José Antonio Valpereiro
Para conhecer melhor o chef Eudes Assis, acesse: www.eudesassis.com
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Um dos pratos mais tradicionais da culinária italiana, que pode servir como acompanhamento ou fazer as vezes de prato principal. Assim é o risoto, uma receita de preparo simples, que leva poucos ingredientes e, pela variedade que pode ter de sabores, é capaz de agradar qualquer paladar. Pois justamente para te ajudar na empreitada de escolher qual risoto preparar, o chef André Boccato e sua Equipe CookLovers criaram este livro, com 21 receitas diferentes, todas fáceis de fazer e muito gostosas. Tem de aspargos, de alcachofra e quinua, de bacalhau, de cogumelos, de queijos e nozes, de tomate seco com manga e por aí vai... Além disso, no início do livro, o autor conta um pouco da história desse prato, que surgiu por volta do século 15, fala sobre os ingredientes básicos e suas funções e dá dicas úteis para não errar no preparo. A obra faz parte da nova coleção lançada pelo selo CookLovers, Atelier de Receitas, que ainda neste mês chega às prateleiras com mais dois títulos: Brigadeiros e
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